Manual de sobrevivência no puerpério: Rede de apoio

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Manual de sobrevivência no puerpério: Rede de apoio

¨Para educar uma criança, é preciso uma aldeia inteira”

Começamos este texto com este provérbio africano que diz tudo de maneira simples: não se pode criar uma criança sozinha, é preciso ajuda e essa ajuda chamamos de rede de apoio!

Me recordo que quando tive meu filho mais novo eu criei toda uma expectativa sobre o período que minha mãe retornaria para sua casa e ficaríamos somente eu, meu esposo e o Davi. Quando Davi de fato nasceu, cperíodo pós partoomecei a perceber que eu talvez não quisesse essa realidade de “enfim sós” tão cedo, porém logo minha mãe precisou ir embora, quando Davi tinha 15 dias de vida. E aí foi uma frustração gigantesca quando eu me vi só com aquele bebezinho e percebi que na verdade, na maior parte do tempo, seríamos somente nós 2 ao longo do dia e que quando o papai chegasse do trabalho tudo que eu mais iria querer era entregá-lo e sair correndo (coisa que não fiz, mas não faltou vontade)! O puerpério me revelou meus medos mais profundos, aqueles que não damos muita atenção no nosso dia a dia, mas que uma hora emerge, geralmente quando estamos fragilizadas e assustadas. E aí apareceu um medo fora do comum com relação a morte, nem mesmo a abertura de um seriado cômico que passava na época (Pé na cova, da rede globo) eu conseguia ver. Juntou isso ao fato de eu ter percebido que na minha ausência (por doença, por exemplo), meu filho só teria ao pai, já que moramos longe da família. Só que esse pai trabalha e dificilmente observamos pais largando tudo para cuidar do filho e da esposa. Pronto, tudo isso junto culminou em dias e mais dias passando mal, sem conseguir cuidar direito do Davi e é claro, o pai teve que se ausentar do trabalho em alguns momentos. Nesta época eu até tinha um apoio em casa, uma funcionária, mas logicamente tudo que eu queria era a minha família por perto e isso não era possível. A resiliência para passar por esses momentos veio dos grupos maternos nas redes sociais, quando me desesperava, corria para lá e pedia socorro. E você, tem para quem pedir socorro quando sente um peso nas costas maior do que pode suportar?

Continue lendo este texto se você deseja saber:

  1. O que é a rede de apoio.
  2. Quem pode fazer parte dela.
  3. E como administrar os possíveis conflitos que poderão surgir.

A rede de apoio nada mais é do que pessoas que estão dispostas a te auxiliar na criação do seu filho(a). Ela é de extrema importância no período pós-parto, pois é um período que a criança demanda muita atenção e energia da mãe, mas ATENÇÃO, neste primeiro período a rede de apoio deve dar atenção é a mãe e não ao bebê como muitos fazem. Digo isso, porque este é o período que mãe e bebê estão se conhecendo, o bebê acaba de chegar neste mundão e sua única referência é sua mãe (cheiro, voz…); por outro lado uma mãe exausta não consegue se doar inteiramente para este reconhecimento, por isso que é ela que precisa de cuidados. A rede de apoio do pós-parto deve :

  • se preocupar em fornecer uma boa alimentação para essa mãe;
  • cuidar de sua casa para que ela não tenha ainda mais essa preocupação;
  • focar na criança quando a mãe precisar fazer suas necessidades básicas (ir ao banheiro, tomar banho, se alimentar, tirar um cochilo…)
  • dar colo e carinho para a MÃE nos momentos de desespero;
  • tomar cuidado ao falar sobre sua própria experiência materna, afinal cada maternidade e criança são únicos, não existe somente um jeito certo de maternar;
  • respeitar as escolhas da mãe.

Passado este período inicial a rede de apoio continua sendo de extrema importância, mas agora o foco muda para a criança, embora a mãe continue sendo quem mais se beneficia, afinal essa rede posterior é justamente para que ela possa voltar a desempenhar seus demais papéis sociais (mulher, esposa, profissional…). Neste momento a rede de apoio assume a criança seja em momentos pontuais (para que a mãe saia e resolva algo), seja de forma constante (para que a mãe retorne ao trabalho, por exemplo).

Nesta foto o pai cuida das crianças, enquanto a mãe (EU) está palestrando.

Nesta foto o pai cuida das crianças, enquanto a mãe (EU) está palestrando.

A rede de apoio geralmente é composta por membros da família, como os avós e tios; porém nada impede que seja uma amiga querida ou padrinhos da criança.  Além disso, temos a rede de apoio paga, que no geral é composta por creche/escola ou babá. Independente de quem seja, o importante é que você sinta confiança nela. O pai também é uma rede de apoio, mas diferente das demais, ele de fato precisa dividir as responsabilidades da criança com esta mãe. Percebi no meu trabalho, que o pai tem papel fundamental, para que a mãe consigo renascer após a maternidade e foi por isso que fiz um capítulo especial para os pais na segunda edição do meu ebook Renascendo após a maternidade: 3 passos para se redescobrir depois do nascimento dos filhos. Caso queira saber mais sobre o papel do pai e também oferecer essa leitura a ele, clique aqui e receba gratuitamente o meu ebook em seu e-mail.

Agora você deve estar querendo me perguntar: “como fazer para que a rede de apoio respeite nossas decisões sobre a criação do seu filho(a) e mantenha o modelo que a criança tem com os pais?” Eu sei, este é o maior problema que encontramos ao ter que deixar nossos filhos com outras pessoas e, de fato, é muito difícil manejar os conflitos que surgem no relacionamento com a rede de apoio. Muitas pessoas, inclusive, deixam de pedir ajuda por isso. Mas, não creio que esse seja o melhor o caminho, como eu disse lá em cima, não dá para criar um filho totalmente sozinha, afinal todas nós precisamos e queremos nosso momento de individualidade. Outro ponto importaplano de comunicaçãonte é aceitarmos que ninguém cuidará de nossos filhos como nós e isso, não necessariamente, significa que o outro não sabe cuidar da criança. Vejo isso acontecer principalmente com os pais: a mãe reclama que ele não participa das rotinas, porém quando o pai tenta assumir algo é duramente criticado. É preciso fazer essa análise crítica e avaliar se isso não tem ocorrido aí na sua casa. Porém, há conflitos que são bem difíceis de manejar, pois a contradição mexe diretamente com os nossos valores. E quando isso acontece, nossa reação imediata quase sempre é exaltada e isso não ajuda a resolver o problema. Por isso que criei uma ferramenta super simples de manejo de crises com a rede de apoio, que chamo de plano de comunicação, onde você colocará no papel tudo aquilo que você deseja que ocorra quando sua criança estiver com esta rede; qual é a realidade que você tem presenciado; o que é possível flexibilizar; e o que você precisa negociar com as pessoas que estarão cuidando do seu bebê. Caso você tenha interesse em baixar esse plano de comunicação, basta assinar minha lista de e-mails e você será direcionada para a página de download.  A ideia é descarregar no papel toda a frustração por sua rede de apoio agir de maneira contrária ao que você acredita ser o melhor para a criança. Depois de refletir e responder cada um desses quadros você terá um panorama da situação real e terá descarregado a ansiedade (talvez até raiva) em um papel, ao invés de em cima da sua rede de apoio. Feito isso, vá tranquila e leve conversar com eles sobre os pontos que precisam ser negociados. Explique o porquê de você não aceitar da forma que está ocorrendo e proponha uma solução.

Por fim, gostaria de me dirigir as pessoas que, assim como eu, não moram perto de suas família e que não possuem condições de pagar por uma rede de apoio. Eu sei como é dificil encarar essa realidade de simplesmente não ter com quem deixar a criança para fazer coisas simples, como por exemplo, ir ao médico (a gente até leva, mas prestar atenção na consulta, é bem difícil). O que eu sugiro é que vocês criem uma rede de apoio. Não é simples e nem fácil, requer uma movimentação da sua parte para conhecer outras pessoas que passam pelas mesmas dificuldades e reuni-las em um grupo, seja virtual ou presencial. Com o tempo é provável que as amizades floresçam e vocês consigam ser uma a rede de apoio da outra. Caso queira ler mais sobre isso, baixe o ebook Renascendo após a maternidade: 3 passos para se redescobrir depois do nascimento dos filhos, pois lá também abordo esse tema!

Espero que tenha gostado desta leitura! Caso tenha alguma dúvida, comentário ou sugestão; basta escrever no campo de comentários aqui debaixo.

Até o próximo texto…

Bianca Amorim

Bianca Amorim
Bianca Amorim
É, em primeiro lugar, MÃE do Davi (03 anos e 11 meses) e Lucas (2 anos). Profissionalmente, é Psicóloga perinatal e Life Coach certificada pela Sociedade Brasileira de Coaching desde 2012. Idealizadora do projeto Renascendo após a maternidade”, onde direciona seus conhecimentos como Psicóloga, Coach e Mãe para outras mulheres que desejam se redescobrir depois do nascimento dos filhos. Autora do ebook gratuito Renascendo após a maternidade: 3 passos para se redescobrir depois do nascimento dos filhos. Palestrante.

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