Retornar ou não da licença-maternidade, eis a questão.

Palestra: “Sou mãe! E agora, quem sou eu?”
01/07/2016
Sou mãe! E agora, quem sou eu?
26/07/2016

Retornar ou não da licença-maternidade, eis a questão.

Na minha prática profissional, sempre me deparo com mães com esta dúvida cruel: “retornar ou não da licença-maternidade?” Preciso te contar que não existe resposta certa ou errada para esse questionamento. Já me deparei com mães que nem sequer  tiveram essa dúvida e retornaram alegres para suas vidas profissionais, como também já atendi outras que largaram tudo sem nem pestanejar. Independente da sua decisão, o importante não é a resposta em si, e sim o caminho que você percorreu para tomar essa decisão. Quanto mais clareza existir, menos a culpa rondará a sua vida.

Imagino que, se você chegou até este artigo, você faça parte do grupo de mulheres que está em dúvida se deseja ou não retornar ao mercado de trabalho após a gravidez. Uma pesquisa global realizada pela Robert Half, a maior empresa de recrutamento especializado do mundo — com 1.775 diretores de recursos humanos de 13 países, incluindo 100 brasileiros —, revelou que menos da metade das profissionais retorna da licença-maternidade em 85% das empresas brasileiras. Resultado bem diferente da média global, em que somente 52% das empresas escutadas relataram o mesmo problema. Certamente, esse resultado se dá por conta dessa licença maternidade, no mínimo insensata (para ser educada, pois, enquanto mãe, tenho outras nomenclaturas para a licença-maternidade brasileira), que nos obriga a deixar nossos bebês ainda muito pequenos nas mãos de outros cuidadores e ainda ter que comprar muita briga para conseguir continuar amamentando. Infelizmente, isso é algo que ainda estamos na militância para mudar (e fico feliz por poder observar as mudanças que essa luta conquistou nos últimos 2 anos), porém sinto te dizer que se apegar nessa revolta não te ajudará em nada para tomar sua decisão.

Continue lendo esse artigo se você deseja:

  • Entender qual é o primeiro passo para decidir se deve retornar ou não ao mercado de trabalho;
  • Refletir sobre quais considerações precisam ser levadas em conta para que você descubra a SUA decisão.

 

Infográfico 1: Decisão consciente

Infográfico para ajudar na decisão sobre o retorno ou não após a licença-maternidade.

No infográfico acima, ilustro um caminho interessante para que você reflita antes mesmo de tomar a decisão de retornar ou não ao mercado de trabalho. Como já deu para perceber, o primeiro passo a ser pensado e analisado é a rede de apoio. Independente do fim da licença-maternidade, em todos os meus textos, vídeos e palestras, eu bato na mesma tecla: a importância da rede de apoio. Sem ter pessoas ou instituições (como as escolas ou creches) com as quais podemos contar e confiar, fica impossível voltarmos a desempenhar nossos demais papéis sociais. E isso, em algum momento, te fará bastante falta, a ponto de poder gerar um adoecimento tanto físico como psicológico. E é por isso que coloco como primeiro passo na reflexão sobre o retorno ao trabalho a aceitação de uma rede de apoio – que pode ser a creche, uma babá ou algum familiar/amigo. Se você faz parte do time de mães que não consegue nem imaginar seu bebê sendo cuidado por terceiros, está na hora de começar a entender o porquê disto e quais estratégias você usará para mudar essa realidade, afinal, voltando ou não da licença-maternidade, em algum momento, atores coadjuvantes precisarão adentrar nesse binômio. Para todas, mas principalmente para quem tiver dificuldade em aceitar a rede de apoio, recomendo ler o capítulo 2 do meu e-book – Renascendo após a maternidade: 3 passos para se redescobrir depois do nascimento dos filhosClique aqui, assine a minha lista de e-mails e receba o livro gratuitamente.

Mas, voltando ao infográfico, será essa aceitação ou não da rede de apoio que a fará tomar uma decisão consciente ou uma decisão puramente baseada no fator emocional, o que pode lhe trazer arrependimento no futuro próximo. Sendo você uma pessoa aberta para que terceiros entrem na sua relação com seu filho, é mais provável que sua decisão seja baseada no que você realmente DESEJA fazer (e aqui friso novamente: voltar ou não ao trabalho é uma decisão SUA). Porém, se você não aceita e não imagina que outra pessoa possa cuidar do seu bebê por algumas horas no dia, é bem provável que sua decisão seja baseada somente no que você PRECISA fazer. Pode parecer que não há diferença alguma, mas existe sim. Precisar fazer algo nos remete a uma obrigação e certamente esse não é o melhor sentimento para embasar a SUA decisão.

Infográfico 2: Retornar ou não ao trabalho

Infográfico retorno ou não da licença-maternidade?

Já no infográfico número 2, te ajudo nas principais questões a serem levadas em conta na reflexão sobre o retorno ou não ao trabalho. Aqui, presumo que você já entendeu, aceitou e sente-se confiante com sua rede de apoio. Então, vamos agora pensar em VOCÊ! Me diga uma coisa, você era feliz no seu trabalho? Trabalhava com amor e tinha um propósito de vida? Se você respondeu SIM, pegue um papel e liste todos os motivadores que poderão fazê-la feliz não retornando ao trabalho, ficando em casa mais um período ou para sempre. Depois disso, leia tudo que foi escrito, reflita e coloque ao lado: por quanto tempo serei feliz ficando em casa?

Agora, se você respondeu que NÃO era feliz em seu trabalho, a reflexão toma outro caminho. Pegue o papel e liste todos os motivadores que a faziam trabalhar neste local, mesmo não sendo feliz ou realizada. Aqui vale ressaltar que a parte financeira é importante e, para muitas mulheres, essencial para a manutenção do emprego. Porém, tente não focar somente nisso, pense mais, tenho certeza que você encontrará ainda mais motivadores que a fizeram ficar em um trabalho em que não era feliz. Agora, olhando para o que você listou, me diga uma coisa: é possível suprir estes motivadores de outra forma e não retornar da licença-maternidade? Por quanto tempo você consegue segurar as pontas e ficar em casa com o bebê?

Conclusão: Não existe uma verdade única!

Espero que, pelo caminho que percorremos neste artigo, você tenha percebido que não há uma resposta certa para a decisão de retornar ou não ao mercado de trabalho. Essa é uma decisão UNICAMENTE SUA. Se atenua a sua angústia compartilhar a sua dúvida com seu esposo, família e amigos, faça-o. Porém, esteja certa que nenhum deles poderá tomar essa decisão por você. A minha intenção neste texto foi te apresentar as principais reflexões necessárias para que SUA decisão seja tomada com consciência, pois eu tenho certeza de que, se isso for feito, será a melhor decisão para você e seu bebê.

Se você tiver alguma dúvida ou sugestão, escreva abaixo no campo “comentários“. Caso tenha achado esse conteúdo valioso, compartilhe com quem passa por essa angústia.

Até a próxima terça!

Bianca Amorim
Bianca Amorim

É, em primeiro lugar, MÃE do Davi (03 anos e 11 meses) e Lucas (2 anos). Profissionalmente, é Psicóloga perinatal e Life Coach certificada pela Sociedade Brasileira de Coaching desde 2012. Idealizadora do projeto Renascendo após a maternidade”, onde direciona seus conhecimentos como Psicóloga, Coach e Mãe para outras mulheres que desejam se redescobrir depois do nascimento dos filhos. Autora do ebook gratuito Renascendo após a maternidade: 3 passos para se redescobrir depois do nascimento dos filhos. Palestrante.

11 Comentários

  1. Sabrina Lewandowski disse:

    Boa tarde Bianca. Este questionamento me angustiou por algum tempo.
    Interessante ver a necessidade de fazer este auto questionamento em busca da felicidade.
    Graças a Deus encontrei uma creche boa, com preço dentro do meu orçamento, e uma
    cuidadora atenciosa com quem eu possa deixar minha filha.
    Mas hoje, a cuidadora fez uma queixa generalizada de que a remuneração que a creche
    paga para ela é de um salário mínimo (cuidando de 5 bebês) e que a filha dela a cobra
    mais presença em casa. Tive empatia e me sensibilizei com o relato dela.

    É triste ver que uma mãe esta abrindo mão de cuidar dos próprios filhos, para cuidar dos nossos.
    Quero ajudar, buscando um melhor emprego para ela, mas tenho medo da creche não achar uma pessoa tão boa
    para cuidar da minha filha.

    Bom, isto foi apenas um desabafo.

    • Bianca Amorim disse:

      Oi Sabrina, tudo bem?
      Essa é uma realidade cruel e que muito me entristece também. O mundo ideal era que as mães (e pais também) tivessem mais tempo para seus filhos, sem que isso signifique parar de trabalhar, necessariamente. Para isso ser possível, o mundo teria que passar por uma profunda transformação e o nosso entendimento de trabalho também. Hoje trabalhamos muito e vivemos pouco, no futuro, espero eu, que meus filhos trabalhem somente o necessário e aproveitem mais o tempo com suas famílias. Fico feliz que você esteja preocupada e tentando melhorar a qualidade de vida desta pessoa. Nos resta confiar na capacidade desta creche de encontrar outra pessoa muito boa com as crianças!

      Abraço e continue acompanhando o blog!

  2. Iracema Teixeira disse:

    Continue nos oferecendo pérolas como este texto. Mesmo não sendo mãe, aprendo muito com suas orientações!

  3. Juliana Lopes Sinhorelli disse:

    Olá Bianca.

    No meu caso quando engravidei não estava trabalhando como CLT (estou gravida de 19 semanas), pois durante os últimos 2 anos me dediquei a projetos como autônomo(foram 2 projetos que não deram certo), tentando concursos na região(embora não tenha me dedicado muito), mais um período sabático devido mudança para o interior, acho que passei pela crise dos 30 entre os 29 e os 31, enfim…mas de alguns meses para cá estou estudando para concursos(de forma mais disciplinada) e me preparando para retomar a atividade em psicologia clínica (como autônoma). O segundo bebê, 10 anos depois – foi desejado, mas não planejado…

    Segundo seu infográfico, se o bebê ainda não nasceu e não estamos trabalhando, melhor parar e esperar o bebê nascer. Agora fiquei confusa, mesmo atividade de estudos, divulgação de clínica feita pelo computador, algum atendimento ou reunião eventual é melhor interromper durante a gravidez? Acho que não, ficaria muito nervosa e ansiosa nos próximos 6 meses sem fazer absolutamente nada profissional mas gostaria de saber sua opinião e das outras mães.

    • Bianca Amorim disse:

      Oi Juliana, tudo bem? Bacana seu comentário!!

      Quando eu coloquei que você deve parar e pensar depois que o bebê nascer é sobre o retorno ou não ao trabalho após a finalização da licença. O que ocorre com muitas mães é que elas ainda na gestação querem pensar se vão retornar ao trabalho ao fim da licença, só que elas não fazem ideia do que acontecerá após o bebê nascer, então não é saudável antecipar essa decisão. Mas, continue sim suas atividades durante a gestação, tudo que te fizer bem neste período é bem vindo. O que será possível continuar depois, aí sim, deixe para refletir após o bebê nascer!

      Grande beijo.

      Bianca Amorim

  4. Claudya disse:

    Olá Bianca.

    Li seu texto e venho me identificando muito. Sou mãe de uma bebê de 5 meses, engravidei logo após que sai da empresa onde trabalhei por 1 ano e 6 meses (considero ter iniciado minha carreira no rh nessa empresa) porém antes de ser desligada, já haviam coisas que não estavam me satisfazendo como questão salarial, impossibilidade de aumentar meu cargo e consequentemente crescer na empresa. Logo que sai, busquei outras oportunidades que me possibilitavam o que eu queria. Porém, com a crise ficou difícil, e após 4 meses de desligamento, descobri que estava grávida de 3 meses (nada nenhum pouco planejado) e com a gravidez não consegui me inserir no mercado e nem na Psicologia Clínica como tinha pretensão trabalhar em paralelo Neste atual momento, penso muito em voltar a trabalhar, (por uma questão de necessidade financeira e sair um pouco desse universo) mas me questiono se vale a pena eu deixar minha pequena e me sujeitar a salário um pouco a mais do que eu ganhava (que não era muito) além de passar horas longe dela e perder momentos preciosos do crescimento e desenvolvimento dela, mesmo existindo uma rede apoio. Percebo que hoje após me tornar mãe, estou em busca de dar novos valores, sentidos para minha vida e poder controlar meus próprios horários justamente para não ficar muito tempo longe dela.

    • Bianca Amorim disse:

      Oi Claudya, bem interessante sua história e suas reflexões. Você está participando do meu Workshop ONLINE e GRATUITO? Pode te ajudar também nestas reflexões! Creio que neste momento o ideal é colocar todas as possibilidades no papel, olhar os pontos positivos e negativos de cada uma e aí sim tomar decisões. O dinheiro em si é muito importante de ser levado em conta, afinal as contas estão aí todo mês para serem pagas; porém neste momento de redescobertas e renascimento após a maternidade é preciso olhar ALÉM e construir histórias que você verdadeiramente se orgulhe de contar para sua pequena! Espero ter ajudado! Se você ainda não está inscrita no Workshop, clique aqui e venha participar deste momento comigo: http://renascendoaposamaternidade.klickpages.com.br/workshop-renascendo

      • Claudya disse:

        Com certeza você vem me ajudando bastante, já estou inscrita no seu workshop e estou adorando, aprendo bastante e me sinto de fato compreendida.

  5. Jessica disse:

    Olá Bianca, li seu texto e achei muito interessante, pois bem estou completamente perdida, tive meu bebê a seis meses e voltei a trabalhar durante um mês, mas não consegui ficar, a babá que cuidava do meu filho não estava dando certo e eu até visitei alguns berçários, porém são caros e as instalações não são muito boas para bebes, então optei por sair do trabalho, porque não tenho ninguém de confiança para cuidar dele, mas desenvolvi um quadro de depressão por estar me sentindo muito culpada por ter saído do trabalho e também por deixar ele de qualquer jeito, só que agora vivo perturbada por isso , sinceramente já não sei mais o que fazer.

    • Bianca Amorim disse:

      Jessica, se for possível, entra em contato comigo por e-mail: bianca@renascendoaposamaternidade.com.br
      Eu desenvolvo um trabalho de orientação psicológica ONLINE, que pode te apoiar emocionalmente a compreender o que deseja e possíveis soluções para este momento. Te explico melhor por e-mail.
      Grande abraço e fique bem!
      Bianca Amorim

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