Medo no pós-parto: você já sentiu?

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Era novembro de 2012, meu filho tinha nascido há uns 20 dias, meu esposo já tinha voltado há muito tempo para seu trabalho, meus pais tinham há pouco retornado para sua cidade natal. Eu tinha um apoio, uma pessoa que cuidava das coisas de casa, mas que também adorava dar um pitaco sobre a forma “certa” de cuidar de um bebê (sempre baseada em suas experiências desatualizadas). Não fazia por mal, com toda certeza, mas naquele momento aumentava consideravelmente o meu nível de stress e medo.

Sozinha com meu filho recém-nascido, muitos medos povoavam a minha cabeça, mas um medo específico era agravado pelo fato de morarmos longe de nossas famílias: medo de faltar para aquela criança. De repente me dei conta (como se eu nunca tivesse pensado nisso ao longo da gravidez): em uma emergência ele só tem a mim e ao pai, sendo que este precisa trabalhar para sustentar a família. O medo foi aumentando dia a dia, e eu somatizando tudo isso em forma de enxaquecas terríveis. Ou seja, tinha medo de faltar com o bebê e de dependermos do meu marido, que precisava trabalhar; o medo elevava meu nível de stress às alturas; isso se transformava em enxaqueca; eu ficava de fato incapacitada de lidar com aquele recém-nascido; precisa tirar meu marido do seu trabalho; e novamente me deparava com o medo de aquilo não ser o suficiente para cuidar do meu filho. Percebe como isso vira um ciclo vicioso?

Certo dia tive um ataque de pânico, nunca tinha passado por isso. Meu medo de faltar era tanto que se confundia com o medo da morte. E tudo relacionado à morte me dava um nó no estômago, quando de repente passou na televisão a abertura de um seriado cômico sobre a tal da morte. Surgiram esqueletos, entoados com uma música alegre, mas isso não foi o suficiente para me tranquilizar e, repentinamente, sinto um aperto no peito e uma sensação de sufocamento; realmente parecia que eu ia morrer. Demorou um pouco para eu voltar a mim, e só consegui através de muita respiração. Foi uma única vez e foi quando eu percebi que o psicológico estava me dominando. Como psicóloga que sou, precisava lidar com aquilo e descobrir formas de amenizar aquela angústia toda.

Essa é a minha história com o medo que vivi no meu primeiro pós-parto. O maior medo que senti em minha vida, que me paralisou em alguns momentos, mas que também foi de extrema importância para que eu entrasse em contato com sentimentos que sempre me incomodaram, mas que eu jogava para debaixo do tapete. Alguns anos depois, comecei o meu trabalho com mães e pude perceber que este sentimento não só acometeu a mim, mas também à grande maioria das mães.

Se você está grávida, passa por este momento do pós-parto ou já passou por situações semelhantes à citada acima, continue lendo este texto pois vou te contar formas de lidar com o medo no pós-parto!


Fruto desta minha vivência, achei interessante abordarmos o medo que nos assombra no pós-parto; percebo que falamos pouco sobre isso e muitas vezes é o medo que nos paralisa. Fiz uma pesquisa na fanpage do Renascendo após a maternidade no Facebook e descobri os maiores medos das mães. Vamos à lista que de certo é infinita: medo de não conseguir amamentar; de a dor nunca acabar; de não dar conta do bebê; de não saber porque o bebê está chorando; de estar fazendo tudo errado; de se sentir sozinha; de que aquela fase nunca passe; de não poder ser mãe e ter que deixar o bebê por muito tempo sob cuidados de outras pessoas; medo de ele se afogar mamando; medo de ele virar e não conseguir desvirar enquanto dorme; de não conseguir se responsabilizar por outro ser humano; de não ser vista mais como mulher; de não ter mais uma vida parecida com a anterior ao seu bebê (escolher seus horários, sair sozinha); de não conseguir retomar sua profissão; medo do bebê; medo da morte; medo de roubarem seu bebê; medo de não ser boa mãe; medo de ele ficar doente; dentre muitos outros medos.

A ansiedade gera o medo; o medo evoca o pânico; o pânico nos paralisa; e isso nos impede de cuidar dos nossos filhos como gostaríamos no momento em que eles mais precisam de nós, nos seus primeiros meses de vida.

O evento que relatei na minha história foi nitidamente um ataque de pânico, no meu caso, aconteceu de forma pontual, mas para muitas mães pode vir a se repetir, transformando-se em uma doença psíquica. Em termos de adoecimento mental da mãe, tendemos a achar que tudo se refere a uma depressão pós-parto, mas várias outras doenças podem surgir, o transtorno do pânico é uma delas. Só com acompanhamento psicológico será possível entender se o evento foi um sintoma isolado, se faz parte dos sintomas de outro adoecimento psíquico, como os transtornos ansiosos, ou se de fato é a doença do transtorno de pânico. Para cada uma destas situações há soluções, basta procurar ajuda!

Mas, se você está lendo este texto, deve estar querendo saber como lidar com este medo assustador e pânico no momento em que ocorre. Vamos às dicas para contornar a situação até procurar ajuda psicológica:

  • Controle sua respiração: a respiração é algo vital para o funcionamento de todo nosso sistema corporal, incluindo as emoções. Porém, não cuidamos bem dela, respiramos de qualquer forma e quase nunca fazemos um exercício consciente de prestar atenção na respiração. Quando a adrenalina corre solta no nosso corpo, nosso medo vai às alturas, o pânico pode aparecer e com toda a certeza sua respiração estará alterada. Por isso, a primeira dica para que este momento ruim passe é que você foque sua atenção na sua respiração. Procure uma posição confortável e simplesmente observe como você está respirando. Com isso, você trará seus pensamentos para o presente, para o que está acontecendo com o seu corpo e começará a controlar melhor a respiração. Se você estiver com seu bebê, coloque ele em cima de você, barriga com barriga, e siga o ritmo da respiração dele;
  • Meditação: caso você já tenha o costume, meditar é algo que você deve fazer no momento que tiver a crise de pânico. Caso esta ainda não seja uma prática comum, recomendo que você aprenda algumas técnicas — vai ser muito útil para você! Te recomendo o canal da , ela tem muitos vídeos que podem te ajudar a começar a meditar;
  • Se distraia: uma outra forma é você arrumar uma forma de se distrair no momento. Pode ser mentalmente, contando de trás para frente, por exemplo; ou você pode sair e fazer uma

    Rede de apoio no pós-parto

    atividade física para liberar endorfina;

  • Rede de apoio: entre em contato com a sua rede de apoio e peça ajuda! Ter apoio de alguém na sua maternidade é essencial, dividir essa carga que você carrega nos ombros pode te ajudar a aliviar sua ansiedade. Na hora da crise, peça que essa pessoa te distraia de alguma forma.

Essas pequenas dicas podem fazer a diferença para que você saia de um ataque de pânico. Repare que tudo o que indiquei fará com que você retome seus pensamentos e concentração para o momento presente. Pois é isso que a ansiedade faz conosco, nos leva para viver num futuro que não existe, enquanto isso, deixamos de viver e de dar conta do nosso presente. Quando eu tive a crise citada acima, meu esposo estava comigo e foi ele quem me ajudou a controlar a respiração. Este foi um sintoma isolado para mim, mas, se contigo acontece com frequência, não hesite em procurar ajuda psicológica. Lembre-se sempre: você precisa estar bem para que seu filho também esteja!

Grande abraço e até breve!

 

Bianca Amorim
Bianca Amorim
É, em primeiro lugar, MÃE do Davi (03 anos e 11 meses) e Lucas (2 anos). Profissionalmente, é Psicóloga perinatal e Life Coach certificada pela Sociedade Brasileira de Coaching desde 2012. Idealizadora do projeto Renascendo após a maternidade”, onde direciona seus conhecimentos como Psicóloga, Coach e Mãe para outras mulheres que desejam se redescobrir depois do nascimento dos filhos. Autora do ebook gratuito Renascendo após a maternidade: 3 passos para se redescobrir depois do nascimento dos filhos. Palestrante.

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