Baby blues puerperal: entendendo e lidando com ele

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Baby blues puerperal: entendendo e lidando com ele

Você já sofreu com algum tipo de tristeza após o nascimento de um bebê? Está passando por isso no momento? Fala-se muito em depressão pós-parto, mas ela muitas vezes é confundida com um transtorno emocional bem mais comum, chamado de baby blues puerperal. Conheça mais sobre o assunto e saiba como entendê-lo e como lidar com a situação, se você um dia passar por isso. É importante saber as diferenças para desmistificar algumas crenças e compreender melhor a fase.

 

O que é baby blues puerperal

 

É uma melancolia que pode atingir a mulher nos primeiros dias após o nascimento do seu bebê. Ela é extremamente comum (80%) e surge já nos primeiros dias após o parto, como um adoecimento leve. Você não precisará passar por um tratamento específico neste caso, apenas deve receber o suporte emocional de sua família, amigos e se estiver muito difícil pode procurar apoio psicológico através da psicoterapia ou de um grupo psicoterápico focado em recém-mães.

 

Sintomas comumente apresentados

 

Se você acha que está passando por baby blues puerperal, veja se você apresenta algum dos seguintes sintomas:

 

– choro fácil;

– labilidade afetiva (dificuldade de controlar suas emoções);

– irritabilidade;

– comportamento hostil.

 

Algumas mulheres ainda podem exibir sentimento de estranheza, de despersonalização, como se tivessem problemas de reconhecimento de sua identidade, e exaltação exacerbada, mas estes sintomas são menos comuns.

 

Como entender o processo de baby blues

 

Como mencionado, o baby blues puerperal é considerado um adoecimento, mas que é “curado” sem a necessidade de uma intervenção ou tratamento. A partir do ápice, que acontece no quarto ou quinto dia, os sintomas vão diminuindo, até desaparecerem. É importante informar também que não é algo grave porque você não se sente o tempo todo melancólica, já que vai alternando momentos de tristeza com alegria e satisfação. Caso o sentimento passe dos quinze dias, aí pode ser depressão pós-parto, assunto que exploraremos abaixo.

 

Embora, não seja necessário nenhum tratamento é possível minimizar os efeitos do baby blues puerperal formando uma rede de apoio no pós-parto. Tenha alguém para te ajudar na nova rotina, identificando suas prioridades, como por exemplo, fazer comida para você, ir ao supermercado, realizar algumas tarefas domésticas.

 

É importante que você descanse sempre que puder, e que tenha o máximo suporte possível dos familiares. Neste período, recomenda-se evitar visitas. Saiba que o suporte de amigos e família é fundamental e é ótimo remédio neste momento.

 

Baby blues puerperal x depressão pós-parto

 

A depressão pós-parto acontece quando a melancolia ultrapassa os quinze dias após o nascimento do bebê. Ela acomete de 20 a 25% das mães e pode acontecer até os dois primeiros anos depois da concepção. A diferenciação já começa aí, pois os sintomas não passam depois de alguns dias, e a depressão pós-parto pode não ser leve, geralmente é um alerta de adoecimento psíquico. Os sintomas são:

 

– humor deprimido;

– perda de prazer e interesse nas atividades do dia a dia;

– alterações de peso, apetite e/ou sono;

– agitação ou retardo psicomotor;

– sensações de fadiga, inutilidade e culpa;

– dificuldades de concentração e tomada de decisões;

– pensamentos de morte ou suicídio.

 

É importante frisar que a mãe deprimida não estar assim por causa do bebê e sim pelas modificações que ocorreram em sua vida pela chegada deste. Portanto, é bem improvável que ocorra um infanticídio (quando a mãe mata seu filho). Os pensamentos relacionados a morte são para si, por conta desta insatisfação com a vida, por não saber lidar com sua nova configuração de rotina. O risco está mais ligado à mãe, então é fundamental que a família fique atenta e protejam a sua integridade física.

 

Portanto, aqui é o momento de fazer intervenções psicológicas epsiquiátricas, de preferência com profissionais com especialidade na área perinatal. Eles saberão como fazer o suporte adequado ao seu caso, e também quais medicamentos podem ser administrados durante a amamentação. Eles existem e hoje não é mais preciso interromper a amamentação para tratar um adoecimento psíquico.

 

Também recomenda-se ações de suporte ainda na gestação, caso você tenha histórico de depressão ou transtornos emocionais; se sofreu abuso; caso a gravidez seja indesejada, ou se sua relação com sua mãe é conflituosa. O cuidado não garante que a depressão pós-parto não aconteça, mas haverá detecção precoce e o tratamento será iniciado o quanto antes for possível.

 

Esses conhecimentos são importantes para a diferenciação das duas situações, para receber o suporte ideal e para saber como lidar com as transformações que te acometem após o parto.

 

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