Baby Blues ou Depressão Pós-Parto?

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Olá! Como você está?

Preciso começar te dizendo que eu sempre fico muito feliz quando venho escrever um texto para o Blog Renascendo Após a Maternidade, então, sempre o faço com muito carinho. No último mês, escrevi um texto falando um pouquinho da relação entre Suicídio e Maternidade. Este foi o meu texto que menos teve curtidas ou compartilhamentos. Sinceramente, eu já esperava por isso, pois sei da dificuldade que temos em falar, ouvir e refletir sobre suicídio, de uma maneira geral, e mais ainda, quando o relacionamos à maternidade. É como se, interna e coletivamente, não quiséssemos ver e aceitar o sofrimento das mães. Mas sei também que muito tem sido feito para que essa realidade mude e a mãe possa, enfim, se tornar um ser humano, cheio de defeitos e qualidades, igualzinho a qualquer outro ser humano!

E aí, para a minha surpresa, em virtude desse texto, recebi algumas mensagens pedindo que eu falasse mais sobre a Depressão Gestacional e sobre a Depressão Pós-Parto. Por isso, resolvi escrever uma pequena série de textos que te ajudarão a identificar uma depressão e orientarão sobre o que fazer nesses casos. Espero, mais uma vez, que você goste!

Para começar, eu preciso deixar claro para você que por mais incrível que seja a maternidade, esse novo universo não é nada fácil ou natural como gostamos de pensar. De todas as fases no ciclo de vida, o período gravídico-puerperal (esse momento entre o desejo de ter filhos, a concepção, a gestação e o pós-parto – aqui compreendido até os 3 anos após o parto) é, sem dúvidas, o de maior risco de adoecimento psíquico para homens e mulheres, em especial.

Daqui podemos concluir algo mais: o sofrimento psíquico puerperal (baby blues/disforia puerperal, depressão pós-parto, ansiedade pós-parto, síndrome de pânico pós-parto, psicose puerperal) não tem relação somente com a alteração hormonal sofrida nesse período, se assim o fosse, como explicaríamos que nem todas as mães têm as mesmas alterações ou ainda que alguns pais também sofrem nesse período?

Posto isso, gostaria de começar fazendo uma diferença entre Baby Blues e Depressão Pós-parto. E é sobre isso o tema do texto de hoje!

Baby blues ou Maternity Blues ou Postpartum Blues ou Disforia Puerperal é o quadro mais leve no pós-parto. E também o mais comum. Ele chega a afetar 85% das mulheres no pós-parto imediato. Pode começar segundos após o nascimento da placenta, costuma ter um pico no quarto ou quinto dia após o parto e termina, espontaneamente, 15 ou 20 dias após o nascimento do bebê.

Os sintomas mais comuns do baby blues são choro fácil e sem razão aparente, alterações de humor, irritabilidade, tristeza e, às vezes, agressividade. Não precisa de tratamento medicamentoso, mas apoio, cuidado, acolhimento e suporte emocional auxiliam no enfrentamento dessa situação e da adaptação dos primeiros dias após o parto.

A depressão pós-parto é uma doença psíquica que surgiu após o nascimento do bebê ou que foi identificada nessa fase. Ela costuma aparecer duas semanas após o parto ou nos três primeiros meses do bebê. Embora, pesquisas mais recentes mostrem que possa surgir até o terceiro ano após o parto, pois todo esse período é marcado por intensas e importantes mudanças de vida, adaptações e reorganizações.depressão pós-parto

Estima-se que até 4 mulheres a cada 10 sofram com Depressão Pós-Parto! Os sintomas mais comuns tristeza, perda do interesse e do prazer nas atividades, alteração de peso e do apetite, alteração de sono, agitação ou retardo psicomotor, sensação constante de cansaço, sentimento de inutilidade ou culpa, dificuldade em concentrar-se ou na tomada de decisões e, às vezes, pensamentos de morte ou suicídio.

E aqui está a grande dificuldade em aceitar ou procurar ajuda para reconhecer a Depressão Pós-Parto: muitos dos seus sintomas se confundem com as crenças e com o que ocorre, tradicionalmente, no pós-parto.

Cansaço, retardo psicomotor, dificuldade de concentração ou tomada de decisão, alteração do sono e do apetite, sentimentos de culpa, fracasso ou inutilidade são queixas comuns à maioria das mães no pós-parto.

Portanto, se você tem dúvida se o que você tem pode ou não ser uma Depressão Pós-Parto ou se você acredita que o que está sentindo está mais intenso do que você consegue suportar ou está mais pesado do que você imaginou que seria ou, ainda, se você acha que você precisa de um tempo para você, para que você possa se organizar emocionalmente, procure um profissional habilitado. Não tenha medo e vença seus preconceitos. Procure um psicólogo.

O psicólogo é o profissional que pode te ajudar nesse processo de tratamento, cura e ressignificação da Depressão Pós-Parto e da Maternidade.

Não tenha medo!

Bom, por hoje, vou ficar por aqui. No próximo texto, trarei mais informações para que você seja capaz de identificar e buscar auxílio para a Depressão Pós-Parto.

Se você tiver alguma dúvida ou comentário, deixe aqui, nos comentários, ou mande um e-mail para luciana@tonsdamaternidade.com.br . Vou ficar muito feliz em receber sua mensagem.

Com muito carinho,

Luciana Rocha

 

Luciana Rocha
Luciana Rocha

Luciana Rocha é mãe do Lorenzo (2 anos), Psicóloga Perinatal, pós-graduada em Psicologia da Saúde, Terapeuta de EMDR, idealizadora do projeto Tons da Maternidade.

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